Ao me dar conta da finitude da vida e
perceber que já passei da metade da minha. Tenho menos tempo a viver do que os
anos que já vivi. Não é uma constatação fácil, mas não fiquei deprimida nem
apreensiva. Decidi me preparar para envelhecer e comecei pelos cabelos que
resolvi deixar naturais, prateados.
Tenho cabelos brancos desde os dezoito
anos e teria que pintar a cada quinze dias. Eu não fazia isso por dois motivos: preguiça e falta de tempo. Para “melar”, os cabelos em casa eram quase duas
horas. No salão, o tempo dobrava. Aplica a tinta, espera o tempo de ação,
enxágua, hidrata.
Ufa, cansei. Criei coragem e me
assumi grisalha. Críticas construtivas e destrutivas choveram. Não me importei.
Sempre fui um pouco rebelde. Até quando me importava com a opinião dos outros
ou ficava chateada, sempre experimentava o que eu gostava. Quanto aos cabelos,
sempre poderia voltar atrás. No entanto, confesso que estou amando meus
grisalhos. Apesar de ainda escutar "cabelo branco envelhece",
"parece relaxada", "pinta esse cabelo" " você ainda é
jovem, bonita, se pintar o cabelo". Eu sorrio e, às vezes, dependendo
do meu humor, respondo. Têm muitos elogios também, já perguntaram a cor e até
pediram para tirar foto para mostrar à cabeleireira.
Depois dos cabelos, resolvi cuidar da
minha saúde, me preparar para ser uma velhinha saudável e sirigaita. Foi nessa
busca que conheci, descobri, achei o minimalismo. Não gosto de bagunça e sempre
tente organizar as coisas, sou uma flybaby, mas o declutter ou destralhe sempre
foi um desafio. O choque foi grande. Apesar de não ser gastadeira, tenho coisas
demais. Não chego ao ponto dos acumuladores, mas tenho meus apegos.
Sempre doei, sem muitos dramas, roupas,
livros, sapatos. Ainda assim tenho muitas coisas e sempre fica a sensação será
que eu vou precisar. E se... Assim as coisas vão se acumulando. Li os dois
livros de Mari Kondo e assisti a série da Netflix. Extremo demais para mim! Até
imaginei jogando as roupas todas em um cômodo e Job (meu pinscher) dormindo e
fazendo xixi em cima. Tenho umas roupas antigas, umas que só uso uma, duas
vezes no ano. Mas são coisas que gosto e não pretendo me desfazer delas.
Meu maior problema são os pontos quentes
ou hot spots como a Flylady chama. Lá em casa qualquer superfície horizontal
atrai as coisas. Os papéis sofrem de reprodução espontânea. Entretanto tudo
isso é "fácil" descartar. Aí chegamos a eles, os livros. Mesmo doando
vários ainda temos muitos e amamos e compramos mais. Já viu, né?
Para mim, a importância de se reduzir as
coisas é para valorizarmos e aproveitarmos o que temos, sejam roupas, livros,
potes (rsrsrs). Ter consciência do que realmente é relevante para nós e não
seguir uma cartilha ou modismo. Estar com quem amamos, valorizar os bons
momentos, ajudar os outros e celebrar a vida é o que importa e nos faz mais
humanos. O resto é resto.
O tempo é breve. Os dias são
rápidos. Gastamos e perdemos tempo com o que não tem valor. Como nos
consumimos pelo que é efêmero. Quanta importância damos para o transitório.
Isso me faz pensar que precisamos focar no
essencial. O que é fundamental para cada um? O que é imprescindível para mim pode
não ser para o outro. Mas as pessoas são o mais importante. Precisamos valorizar os nossos
queridos enquanto os temos na nossa vida. Vamos abraçar, beijar e falar o
quanto eles são preciosos para nós, pois somos momentâneos e podemos não ter a
chance de falar o que é preciso.
Iara Oliveira
Nenhum comentário:
Postar um comentário